terça-feira, 27 de março de 2007

quinta-feira, 22 de março de 2007

dessas coisas do amor

A moça chorava no ombro da irmã e dizia:
Deixou seu retrato comigo e saiu dizendo que me amava. Havia lá fora um vento zunindo no domingo lento. Saiu com destino à capital. Eu fui me despedir na rodoviária e o vi dentro do ônibus. Vi seu olhar perdido ali. Vi seu olhar em mim e a blusa que carregava na mão. Até me pediu para não usar mais aquele batom vermelho, sem a sua presença.Era ele, sim, indo logo ali, mas prometendo voltar. Agora estou aqui feito um pano velho esquecido no varal. É ele que mexeu comigo e por isso não consigo terminar meu curso de amor que fiz por correspondência em uma dessas revistas de fofoca. Se alguém souber do paradeiro dele ...


(texto adaptado de uma contadora de estórias, aqui da minha região, sobre a moça que pirou esperando o moço que nunca veio)

quarta-feira, 14 de março de 2007

C A F É

Flores trago pra você
Eu venho de longe
Venho no amanhecer
Desço do bonde
A rua vazia é a mesma
P a r a l e l e p í p e d o s
E o guarda solidário diz bom dia para mim
Chego aqui na manhã
Faço um café
Preparo a mesa, na surpresa.
Cheguei assim
Para o meu amor.

sexta-feira, 2 de março de 2007

# uma canção #

Quero ouvir uma canção de desabituar
de desabotoar
de desatinar
de desavisar
de desligar tevê
em desarranjos
em descuido
em desconto
em desuso
em desapego
até despir corações
em descompasso.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

D E S E J O

Eu não sei pra onde ir
Ir por aí, talvez,
Ou por ali
Como o simples voar dos passarinhos.

Ir para um outro país
Do outro lado do mesmo mar.

Talvez o ir deva ser já

Não quero mais
Ver esse desejo
Se desmanchar no ar.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

"importa mesmo a gente aqui"

É o
Pôr-do-sol
Entre a montanha
E o edifício
É o cume da caverna
É o instante,o daqui a pouco
É o cansaço
De quem vem lá do trabalho
E passa na casa de jogos
E joga na Loto
E confere o jogo
E nem ganha nada
Não importa!
Pra lá do pôr-do-sol
O resto é noite.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

N A V E G A N T E S

Ontem brinquei com ela de ser o meio do mar, o meio do mar

Estava feito um vulcão no meio da ilha do meio do mar

Um vulcão bem no meio da ilha

Naquele ponto X do mapa, uma maravilha, bem devagar.

O desejo transbordou

E tudo subiu aos ares

As ondas levaram ao gozo

E ainda inventamos de naufragar.

Só nessa manhã seguinte nossos restos chegaram à praia ... bem

devagar.